e-cristianismo

  • Full Screen
  • Wide Screen
  • Narrow Screen
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Deutsch (DE-CH-AT)Español(Spanish Formal International)Português (Brasil)English (United Kingdom)

Testemunhas de Jeová, Eruditos e João 1:1

Este artigo se destina a refutar um artigo escrito pelo testemunha de Jeová chamado Rubens Dantas de Oliveira, que resolveu se basear em eruditos para defender a Tradução do Novo Mundo.

Share teorico-estudioso

Existe na internet, um site de defesa da Tradução do Novo Mundo, mantido por um testemunha de Jeová que diz ser professor de hebraico e grego. Eu não vou duvidar que o Sr. Dantas diz. Mas talvez por ser professor, ele resolveu fazer uma defesa "mais embasada" no que os estudiosos dizem sobre a gramática grega.

Assim, ele resolveu escrever uma defesa da tradução de João 1:1 feita pela Torre de Vigia. Para isto, ele listou várias críticas feitas a esta tradução, e resolveu contra-argumentar com elas. É bastante curioso como o Sr. Dantas consegue responder doze eruditos que criticam a Tradução do Novo Mundo com as citações de apenas quatro outros eruditos...

Afinal de contas, por que devemos dar mais atenção ao que Jason BeDuhn diz, do que outros eruditos mais reconhecidos do que ele? Seria interessante que o Sr. Dantas tivesse dedicado um pouco mais de seu tempo para tratar desta questão.

O artigo do Sr. Dantas na verdade é apenas uma cortina de fumaça. Ele apenas pretende desviar a atenção de seus leitores, tentando demonstrar que estes críticos podem estar errados. De certa forma, ficamos felizes com esta forma de pensar do Sr. Dantas: eruditos podem errar sim. Inclusive o Jason BeDuhn e outros.

Porém, os poucos eruditos listados naquele artigo não parecem estar do lado do Sr. Dantas ou da Torre de Vigia. Ele por exemplo começa citando Murray J. Harris, que segundo ele diz:

"Concordemente, do ponto de vista somente da gramática,[QEOS HN hO LOGOS]poderia ser vertido"a palavra era um deus,...." - Jesus As God, 1992, p.60.

Fonte: http://www.uniblog.com.br/traducaodonovomundocriticos/

O Sr. Dantas aqui deixou de lado o resto da citação, que explica exatamente o que Harris queria dizer com isto. Note na citação completa:

Do ponto de vista gramático, θεος ην ο λογος poderia ser traduzido como "a Palavra era um deus" da mesma forma, por exemplo, se só fôssemos levar em conta o aspecto gramático, υμεις εκ του πατρος του διαβολου εστε (Jo.8.44) poderia significar: "vós sois do pai do diabo", mas no contexto teológico, i.e, no monoteísmo de João, esta leitura de Jo.1.1 é impossível.

O que Harris diz é que possibilidades gramaticais não fazem boas traduções. Segundo a regra de Colwell, θεος pode ser indefinido ou definido. O fato de termos duas possibilidades aqui não significa que as duas são apropriadas. De fato, Harris depois diz:

"não seria possível, de um ponto de vista gramatical, traduzir Jo.1.1 como 'a Palavra era um deus'" (Harris, p. 61).

Assim, o Sr. Dantas não poderia usar a citação de Harris para contra-argumentar Metzger, que rejeitou a Tradução do Novo Mundo em João 1:1 com base na gramática. Por outro lado, devemos reconhecer que Metzger aplicou de forma errada a regra de Colwell, ao acreditar que esta regra sozinha definiria a questão.

Mas a acusação que o Sr. Dantas faz a Metzger pode muito bem ser feita à Torre de Vigia e seus seguidores. Pois a escolha que fizeram pelo artigo indefinido em João 1:1 só pode ser feita com base teológica, e digo mais, com a base teológica errada. Muitos concordam que o clímax do evangelho de João é Jo 20:28, quando Tomé chama Jesus de "Meu Senhor e meu Deus". Entre estes está até Jason BeDuhn, que em uma discussão na internet, alegou:

Sim, contexto literário importa na ajuda para delinear o que um autor poderia possivelmente dizer em uma dada passagem. Linguagem é inerentemente ambígua, e tradução e interpretação lidam com isto. O ponto que eu estou tentando levantar sobre João é que ele está CONSTRUINDO um argumento, ou apresentação, sobre Cristo em seu evangelho. O que precisamente, teologicamente, aquele argumento e apresentação é pode ser debatido até certo grau. Mas em termos de tradução, você não pode legitimamente empacotar a totalidade daquela apresentação em uma única passagem, verso ou palavra. Você deve deixar a apresentação se revelar no curso do evangelho. João 20:28 é um clímax que João trabalhou arduamente para preparar o leitor, por dizer de várias formas através do evangelho em que sentido pode ser verdade que Jesus é o "Senhor e Deus" de Tomé. O evangelho se trata de estender o monoteísmo para acomodar a intimidade de identidade entre Cristo e Deus o Pai. É uma simplificação grosseira da elaborada e delicada tarefa de João de fazer isto, ao traduzir João 1:1 da maneira tradicional. Não é o que João escreveu e perde o conteúdo do que ele escreveu.

Fonte: http://www.forananswer.org/Mars_Jw/JB-RH.Jn1_1.BeDuhn.2.htm

Como podemos ver, o que BeDuhn acredita aqui é que João está aos poucos acostumando uma platéia à declaração de Tomé. Assim, BeDuhn só defende que João 1:1 deve ser traduzido por "o Verbo era divino", pois ele acha que a forma tradicional seria, em outras palavras, direta demais. O que fica claro aqui, é que ninguém está baseando suas decisões somente na gramática, e que basear-se somente na gramática é impossível nesta questão.

Da mesma forma podemos falar de C. H. Dodd, que o Sr. Dantas cita como apoio à Tradução do Novo Mundo. Esta citação é a seguinte:

"Se a tradução fosse uma questão de substituir palavras, uma possível tradução seria, 'a Palavra era um deus'. Como uma tradução palavra por palavra não pode ser condenada e para os gregos pagãos que ouviram a linguagem cristã, Theos en o Logos, poderia ter parecido uma afirmação perfeitamente sensata. A razão pela qual é inaceitável é porque vai contra a corrente do pensamento joanino, e deveras do pensamento cristão como um todo." Technical Papers for the Bible Translator (Documentos Técnicos para o Tradutor da Bíblia), Volume 28, janeiro de 1977.

Engana-se o Sr. Dantas, se ele acha que esta citação o beneficia. Pois Dodd não está dizendo que "a Palavra era um deus" é uma citação apropriada. Ele, pelo contrário, deixa claro que esta tradução não é condenável se o ato de traduzir significasse apenas substituir palavras. Assim, Dodd não pode ser usado contra Mikilaski ou qualquer outro crítico da Tradução do Novo Mundo, pois para Dodd "o que Deus era a Palavra era", isto é, que em todo sentido que o Pai é Deus, o Logos também é Deus (pág. 104).

Finalmente o Sr. Dantas se refere ao Rev. J. W. Wenhan como alguém que dá suporte à tradução de João 1:1 feita pela Torre de Vigia. De fato, Wenhan diz que tanto "a Palavra era Deus" como "a Palavra era um deus" é válido. No entanto, o Sr. Dantas cita exatamente o texto-chave para entender a opinião de Wenhan:

"A interpretação de João 1:1 vai depender de se o autor acredita ou não em um Deus ou mais de um deus". (Wenham, The Elements of New Testament Greek, p. 35, n. 1).

O que Wenhan explica é que deve-se interpretar João 1:1 segundo as convicções do autor, no caso, João. Sabemos que João, como todos os judeus, era monoteísta. Assim, a interpretação do versículo não poderia dar margem ao politeísmo, alegando haver mais de um deus. Desta forma, Wenhan dá a entender que a única forma possível de se entender o texto é o traduzindo como "a Palavra era Deus", mantendo assim o monoteísmo que João professava.

Por outro lado, parece que o Sr. Dantas está disposto a aceitar uma forma de politeísmo, aproximando-se de gnósticos. Segundo ele:

Eu acredito que João poderia ter afirmado que a Palavra "era um deus", porque no Antigo Testamento, até mesmo os anjos são chamados de "deuses". Sim, João como judeu acreditava em "mais do que um deus", em seres divinos, muito superiores aos humanos, que estavam diante de Deus e o serviam na Sua Corte Celestial (Veja Salmo 8:5; 82:1; 138:1)

Fonte: http://www.uniblog.com.br/traducaodonovomundocriticos/

Aqui o Sr. Dantas revela todo o gnosticismo que ele vem aprendendo com a Torre de Vigia. Ele chega até a declarar que embora estes sejam deuses, deve-se adorar Jeová por ser Ele o Deus Verdadeiro:

Mas, assim como João, temos que adorar o único DEUS verdadeiro, ou aquele a quem se deve adorar. Mas a Palavra não era este único Deus verdadeiro ("hO QEOS", literalmente "o D/deus") conforme João nos informa, pois a Palavra estava COM Deus. Esta tradução de João 1:1 está assim de acordo com o contexto que informa que a Palavra estava com O Deus, distinta deste, mas ainda assim da sua semelhança: divina, um deus.

Assim, a diferença entre o Pai e os outros "deuses" (incluindo Jesus) é somente que Ele é Verdadeiro, e os outros não. Esta é a única diferença entre a divindade deles, indicando que o Sr. Dantas acredita realmente que exista mais de um deus, embora os outros não possam ser adorados.

O próprio Jesus esclarece que a lei chama aqueles homens de deuses, e não que eles eram de fato, deuses:

Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada) - João 10:35

Por este motivo, poderíamos chamar estes homens de falsos deuses. Eles são considerados deuses na medida que se parecem com o Pai, neste caso por se tratar de juízes. Em relação a isto, no capítulo 43 de Isaías Deus nos dá um teste de divindade, para que saibamos quem é o Verdadeiro Deus, e quem não é:

Todas as nações se congreguem, e os povos se reúnam; quem dentre eles pode anunciar isto, e fazer-nos ouvir as coisas antigas? Apresentem as suas testemunhas, para que se justifiquem, e se ouça, e se diga: Verdade é. Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há Salvador. Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR; eu sou Deus. - Isaías 43:9-12

O Deus Verdadeiro é o Deus que salva. Neste ponto, o próprio Jesus Cristo preenche os requisitos:

Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. - Lucas 2:11

Então, enquanto homens, anjos, o diabo falham neste teste, por não serem salvadores, Jesus passa com facilidade nele. Temos apenas um Deus, fato atestado em vários textos bíblicos. No texto de João 1:1, temos uma identificação de Jesus com Deus. Tudo isto nos leva a concluir que o artigo indefinido não é apropriado para ser inserido aqui.

More articles :

» Alexandre de Alexandria, patriarca da ortodoxia cristã

Alexandre, patriarca da igreja de Alexandria de 312 a 327, é um dos maiores líderes cristãos de todo o tempo. Talvez tenha sido o maior responsável pela preservação da ortodoxia em relação à plena divindade de Jesus Cristo bem como à...

» Atanásio de Alexandria, defensor da fé

Atanásio, um dos maiores pais da Igreja primitiva, nasceu em Alexandria por volta do ano de 295 d.C., provavelmente de pais não cristãos e de língua grega, o que lhe deu ao menos a possibilidade de crescer e aprender as primeiras letras longe da...

» Ário, o heresiarca de Alexandria

Ário (ou Arius) é uma figura central e polêmica do cristianismo na virada do século III para o IV depois de Cristo. Não se sabe exatamente a data nem o local em que esse sacerdote norte-africano nasceu. Especula-se que possa ter nascido na...

» Uma carta de Cornelius Van Til para Francis Schaeffer

Deixe-me começar enfatizando o fato de que ambos temos essencialmente o mesmo objetivo em nosso trabalho. Nós estamos nos dirigindo ao homem moderno, em particular a jovens educados, a fim de que reconheçam Jesus Cristo como aquele que nos fala...

» Hedonismo e felicidade cristã

HEDONISMO. Do grego hēdonē, “prazer”. O hedonismo consiste em todas aquelas teorias éticas que identificam o alvo moral como a felicidade, o prazer. Os cirenaicos antigos tomavam por certo que a previsão exata dos resultados prazerosos ou...

Google+

Cristianismo em ação

Contraponto

Login

Verso do dia

Doações

Donate using PayPal
Amount:

Publicidade

Este site segue a licença Creative Commons - não comercial - livre cópia, distribuição e citação sem alterações no texto. Caso você goste de nossos textos, inclusive de autoria de terceiros, tenha a bondade e a gentileza de indicar a fonte tanto deste site como aquelas em que nos baseamos (inclusive traduzindo-as) e tivemos a delicadeza de indicar aqui (com os respectivos LINKS).

Creative Commons License

Usura não
You are here: Apologetik Testemunhas de Jeová, Eruditos e João 1:1