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Testemunhos das Escrituras que permitem dar ao Espírito Santo a denominação de “Senhor”

Mas, que vale combater por meio de humilde argumentação, obtendo uma vitória inglória para a doutrina, quando é possível apresentar exemplos mais honrosos para demonstrar a excelência irrefutável da glória do Espírito?

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52. Mas, que vale combater por meio de humilde argumentação, obtendo uma vitória inglória para a doutrina, quando é possível apresentar exemplos mais honrosos para demonstrar a excelência irrefutável da glória do Espírito? Se repetimos o que aprendemos da Escritura, talvez logo os adversários do Espírito comecem a clamar com intensidade e veemência, tampem os ouvidos, apanhem pedras ou o que estiver a seu alcance, e cada qual, fabricando as próprias armas, nos atacará. A segurança, contudo, não é preferível à verdade. Efetivamente, encontramos nos escritos do Apóstolo: "Que o Senhor conduza os vossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo nas tribulações" (2Ts 3:5). Quem é este "Senhor" que conduz "para o amor de Deus e a constância de Cristo nas tribulações"? Respondam-nos os que rebaixam o Espírito à condição de escravo. Se a locução se referisse ao Pai, ter-se-ia dito, absolutamente: "Que o Senhor vos conduza em seu amor". Se fosse atinente ao Filho, ter-se-ia acrescentado: "em sua constância". Que eles procurem, então, quem será esta outra Pessoa, digna de ser honrada com o título de Senhor. Assemelha-se a esta a seguinte passagem: "A vós, porém, o Senhor faça crescer e ser ricos em amor mútuo e para com todos os homens, a exemplo do amor que nós vos temos. Queira ele confirmar vossos corações numa santidade irrepreensível, aos olhos de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os santos" (1Ts 3:12-13). A qual "Senhor" pede o Apóstolo "queira confirmar o coração" dos fiéis de Tessalônica "numa santidade irrepreensível, aos olhos de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor?". Respondam-nos os que põe o Espírito Santo entre os "espíritos servidores, enviados a serviço" (Hb 1:14). Ora, eles nada podem replicar. Por isso, escutem também outro testemunho claro, que dá ao Espírito Santo o nome de "Senhor": "Pois o Senhor é Espírito" (2Co 3:17). E ainda: "Pela ação do Senhor, que é Espírito" (2Co 3:18). Tendo em vista não dar oportunidade alguma de contradição, repito a passagem do Apóstolo: "Sim; até hoje, todas as vezes que lêem o Antigo Testamento, este mesmo véu permanece. Não é retirado, porque é em Cristo que ele desaparece... é somente pela conversão ao Senhor que o véu cai. Pois o Senhor é o Espírito" (2Co 3:14,16-17). Por que razão assim se exprime? Porque aquele que se apega à letra, e se limita às prescrições legais, tem o coração de certo modo velado por uma interpretação literal, à semelhança dos judeus. Assim acontece devido à ignorância de que a observância material da Lei foi abolida por ocasião da vinda de Cristo, e enfim, que os tipos agora se transformaram em realidade. As lâmpadas são desnecessárias quando aparece o sol; e a Lei é obsoleta, as profecias silenciam, ao manifestar-se a realidade. Quem, contudo, for capaz de perscrutar o sentido profundo das prescrições legais, de retirar esta espécie de véu, a obscuridade da letra, e puder penetrar nestes mistérios, esse imita Moisés, que tira o véu para falar com Deus, retornando também ele da letra ao espírito. Assim, a obscuridade dos ensinamentos da Lei é análoga ao véu que cobria a face de Moisés, e a ação de voltar-se para o Senhor corresponde à contemplação espiritual. Aquele que, na leitura da Lei contorna a letra, volta-se para o Senhor (aqui é o Espírito que recebe o nome de Senhor), e assemelha-se a Moisés, cuja face resplandecia diante da manifestação de Deus. Os seres postos perto de cores brilhantes ficam também coloridos pelo fulgor que elas emitem; assim igualmente se alguém fica intensamente o olhar no Espírito, a glória deste o transforma em algo de mais resplandescente, porque a verdade provinda do Espírito de certa maneira ilumina de cima o coração. Nisto consiste ser transfigurado pela glória do Espírito em sua própria glória (Ex 34:34), não com parcimônia, nem imperceptivelmente, mas à medida que é capaz aquele que o Espírito ilumina. Não te perturbes, ó homem, com a palavra do Apóstolo: "Sois o templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vós" (1Co 3:16). Por acaso, a habitação de um escravo foi honrada com o título de templo? Por que razão aquele que declara ter sido a Escritura "inspirada por Deus", por ter sido escrita sob o sopro do Espírito Santo (2Tm 3:16), não emprega uma linguagem que o ultraje e rebaixe?

Basílio de Cesaréia - Tratado sobre o Espírito Santo, Editora Paulus, páginas 152 a 154.

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