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Jo 10:27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem

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Eclesiastes

Área dedicada a estudos bíblicos, livro por livro. Participe!

Moderadores: Adriane Cunha, Gustavo, Hélio

Eclesiastes

Mensagempor Hélio » Ter Dez 23, 2008 7:11 am

Vamos começar outra "frente" de estudo bíblico aqui, agora no livro de Eclesiastes, aberto à participação de todos.

Vamos lá!
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Hélio
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Re: Eclesiastes

Mensagempor Hélio » Ter Dez 23, 2008 7:17 am

INTRODUÇÃO:



Eclesiastes é um livro cuja autoria é geralmente atribuída a Salomão, conforme indica o seu primeiro versículo ("filho de Davi, rei de Jerusalém"), além de repetir que "vem sendo rei de Israel em Jerusalém" (1:12) e "sobrepujei em sabedoria a todos os que antes de mim existiram em Jerusalém" (1:16). Se esta autoria é confirmada, o livro foi composto por volta do século X a. C., havendo estudiosos, entretanto, que consideram que o hebraico utilizado no livro e a visão negativa dos governantes, imprópria para um rei (4:13; 7:19; 8:2-4 e 10:4-7), indicam que a obra foi composta no período posterior ao exílio babilônico, o que dataria o livro para o século VI a. C. Deve-se entender por "composta" aqui não exatamente "escrita" como as cartas de Paulo, por exemplo, pois, no Antigo Testamento, muitas vezes a tradição oral se impunha por absoluta necessidade, já que não havia uma escrita organizada, ou uma padronização dela que justificasse a sua cópia manuscrita. A primeira evidência de um primitivo hebraico escrito, o calendário de Gezer, data do século X a. C., logo, contemporâneo à versão de que teria sido Salomão o autor de Eclesiastes. De qualquer maneira, a tradição oral se encarregava de recitar - e transmitir às gerações seguintes - o teor dos livros tidos como sagrados, além de haver algum tipo de escrita rústica, conforme Deus já ordenara por intermédio de Moisés em Deuteronômio 6:

6 E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;
7 e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.
8 Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos;
9 e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.


Nas versões corrigida e atualizada de Almeida, o livro começa com "Palavras do pregador", sendo que a palavra hebraica traduzida por "pregador"- קהלת - qôheleth - é intraduzível nas línguas ocidentais. A NVI traduz por "mestre". As Bíblias católicas preferem não traduzir o termo hebraico. A Bíblia do Peregrino e a de Jerusalém colocam o nome Coélet e a Tradução Ecumênica prefere Qohélet. Trata-se de uma palavra feminina que significava, basicamente, o ato de uma pessoa que convocava uma assembléia, uma reunião popular nas vilas e cidades, com a intenção de se dirigir aos demais mediante um discurso ou uma espécie de aula pública. Podemos imaginar, portanto, que a idéia por trás da palavra Eclesiastes está ligada à Sabedoria, que convocaria os leitores a ouvir as suas lições numa "assembléia" (קהל - qahal, em hebraico; ἐκκλησία - ekklēsia - em grego), segundo a imagem que Provérbios 1:20-21 mostra, ou seja, que "grita na rua a Sabedoria, nas praças, levanta a voz; do alto dos muros clama, à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras". Quando o Velho Testamento foi traduzido do hebraico para o grego, pelos 70 sábios judeus de Alexandria, formando a versão conhecida por Septuaginta, do século II ao I a. C., a palavra qôheleth, na falta de equivalente em grego (e com base em ekklēsia) foi traduzida por Ἐκκλησιαστοῦ - ekklesiasthv – que chegou até nós como Eclesiastes. Naquele tempo ainda não existia a palavra (ou pelo menos a idéia de) "igreja", outra tradução possível para ekklēsia a partir do início do cristianismo. Entretanto, não se deve confundir Eclesiastes com dois livros deuterocanônicos (ou apócrifos) que constam da Bíblia católica: o Eclesiástico e a Sabedoria de Salomão. Este último foi escrito originalmente em grego por judeus que moravam em Alexandria, no Egito, no século I a. C., sendo a referência a Salomão um mero recurso literário para dar autoridade aos provérbios colecionados no livro. Já o Eclesiástico (ou Sirácida) foi escrito por um judeu chamado Jesus, filho de Sirach, por volta do ano 185 a. C., sendo traduzido para o grego por seu neto e incorporada na Septuaginta no século seguinte. Esses dois livros não foram aceitos como canônicos pelos judeus e pelos protestantes.

Nunca houve discussão significativa em relação à canonicidade do livro de Eclesiastes. Houve, sim, em relação ao livro de Eclesiástico, que consta apenas da Bíblia católica, e não tem nada a ver com Salomão. Mesmo os católicos consideram Eclesiástico um livro "deutero-canônico". "Deutero" é um prefixo que quer dizer "segundo", ou seja, só numa segunda época da História é que alguns livros, como o Eclesiástico, foram considerados canônicos por uma determinada igreja, no caso a católica, já que os judeus não os consideravam assim, e nem os protestantes a partir do século XVI. É importante destacar que, mesmo no início da igreja cristã, muitos pais da igreja não consideravam esses livros canônicos. Por isso, a própria igreja católica faz esta distinção.

Considerando as fases da vida de Salomão, tudo indica que a sequência tenha sido: Cantares na juventude, Provérbios na maturidade e Eclesiastes na velhice. Há uma evidência interna da Bíblia, inclusive: 1ª Reis 4:32 diz que Salomão compôs 3.000 provérbios e 1.005 cânticos. Entretanto, o livro de Provérbios contém algo entre 900 e 923 provérbios de Salomão. Muitos se perderam pelo caminho, na poeira dos séculos, e outros foram compostos por terceiros, como Agur (cap. 30) e Lemuel (cap. 31). De fato, foi Salomão que compôs a maioria dos provérbios, mas eles foram coletados e reunidos sistematicamente num livro apenas após o retorno do cativeiro babilônico, no século VI a. C., sendo impossível no momento saber em que data ele chegou à conformação atual. Cantares, aparentemente, manteve o mesmo formato desde o século X a. C., ou seja, tudo indica que guarde as mesmas palavras que Salomão proferiu ou registrou. Tudo isto, entretanto, não pode tirar de nós a convicção de que o Espírito Santo realmente inspirou tanto os escritores como os compiladores desses livros, pois Deus age na História, no meio dos fragmentos das intervenções humanas, juntando os cacos das guerras e catástrofes naturais, para trazer esses textos até nós, tais quais os recebemos.
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Re: Eclesiastes

Mensagempor Hélio » Sex Jan 02, 2009 9:22 am

Comecemos com o primeiro capítulo de Eclesiastes, na versão Almeida Corrigida Fiel:

Ecl 1:1 Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.
Ecl 1:2 Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.
Ecl 1:3 Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?
Ecl 1:4 Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
Ecl 1:5 Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
Ecl 1:6 O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
Ecl 1:7 Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
Ecl 1:8 Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
Ecl 1:9 O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.
Ecl 1:10 Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
Ecl 1:11 Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois.
Ecl 1:12 Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.
Ecl 1:13 E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar.
Ecl 1:14 Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito.
Ecl 1:15 Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular.
Ecl 1:16 Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento.
Ecl 1:17 E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito.
Ecl 1:18 Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.
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Re: Eclesiastes

Mensagempor Hélio » Sex Jan 02, 2009 9:23 am

Depois de se apresentar como "rei de Jerusalém", o Pregador inicia o livro de Eclesiastes com uma afirmação até certo ponto surpreendente: "Vaidade de vaidades, tudo é vaidade". Faz questão de reforçar a expressão "vaidade de vaidades", duplicando-a, como que dizendo que o próprio texto que ele estava começando a escrever já terminava por ali mesmo, pois também era vaidade. Pelo menos é essa a impressão que o leitor mais apressado tem, e, afinal, se tudo é vaidade, por que continuar a ler o livro? A resposta a esta pergunta é que vai ser escondida, murmurada, sussurrada pelo Pregador até o final do livro, mas desde o início ele prende a atenção do leitor mais atento por inverter a ordem das coisas num livro de sabedoria ou filosofia. O sábio e o filósofo geralmente apresentam uma série de premissas e vão discutindo-as até chegar a uma conclusão final, com o perdão da redundância. É que Eclesiastes começa com uma conclusão inicial, ou pelo menos parece começar com ela. "Vaidade de vaidades, tudo é vaidade". Mas será que tudo é vaidade mesmo? Afinal, esta é uma idéia que o próprio Paulo retoma em de Romanos (8:20 – "Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou), que ele também insiste em Efésios (4:17 – "não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente"). A palavra "vaidade" é repetida 37 vezes nos 12 capítulos de Eclesiastes, e "vaidade" é a tradução da palavra hebraica הבל - hebel - que significa uma brisa suave, um vento leve, algo temporário, passageiro e sem importância. O curioso é que "hebel" também pode ser um nome próprio, talvez não por acaso o de Abel, vítima do primeiro homicídio da humanidade, cuja vida foi ceifada na sua mocidade, e viveu muito pouco em relação aos seus parentes. Foi mais um que deu razão à advertência de Tiago: "Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa" (Tiago 4:14 – NVI).

O Pregador se apresenta, portanto, como alguém desanimado, conformado com o nada, e sem nenhuma esperança. Parece um contra-senso na Bíblia, mas o Pregador não está sozinho. Jonas talvez tenha sido o profeta mais desanimado que houve. A Jeremias coube a terrível frustração de ver sua pregação ignorada e o seu povo morto ou levado escravo, Jerusalém e o Templo destruídos. Só lhe restou lamentar-se. Asafe desfiou sua inveja dos ímpios prósperos no Salmo 73. A Bíblia está longe de ser um livro mitológico, de comportamentos impávidos e assépticos. Ela é composta de gente como a gente, com todas as nossas dúvidas e os nossos defeitos, mas também as nossas qualidades. Afinal, ser humano é algo tão bom que o próprio Deus quis passar por esta experiência. E Eclesiastes é um livro sobre a vida, sobre o mundo. O Pregador é existencialista quando isso nem se cogitava. Ele usa a expressão "debaixo do sol" 30 vezes no seu livro. Só no capítulo 1 ele a repete 3 vezes. "Debaixo do sol" é o equivalente em Eclesiastes ao "mundo" dos Evangelhos, principalmente o de João: "Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá" (14:27). Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo" (16:33), "Eles não são do mundo, como eu também não sou" (17:16). Há mais semelhanças com a pregação de Jesus do que parece à primeira vista. Afinal, logo no 3º versículo, o Pregador pergunta: "Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?", algo que Jesus também perguntará, associando ainda "vida" e "mundo": "Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? ou que dará o homem em troca da sua vida?" (Mateus 16:26). A vida, o mundo, o tudo e o nada, estes são os temas de Eclesiastes.

Assim, o Pregador começa Eclesiastes levando ao extremo os seus argumentos, como se fosse um ateu em relação à religião, pelo menos no sentido que o ateísmo poderia ter naquele contexto judaico fortemente religioso. Afinal, para que serviam todos aqueles rituais? Por que a vida do mundo judaico era centrada na religião se a rotina era a regra do mundo? Tudo era uma eterna mesmice... o sol se levanta, o sol se põe, o vento vai, o vento vem, num tédio só. Os rios correm para o mar, mas o mar não se enche, a água evapora e retorna como chuva. Tudo num ciclo monótono sem fim. Outra tradução possível para "Todas as coisas são canseiras tais que ninguém as pode exprimir" (v. 8) é "Todas as palavras são frágeis", ou seja, até o discurso é vão, o Pregador estava cansado de tanto nhem-nhem-nhem. Talvez a idéia pareça absurda para a Bíblia, mas é esta mesma a intenção do Pregador: chocar. Ele força a sua argumentação até o limite do suportável. Faz as vezes de "advogado do diabo" para atacar a Deus e, para isso, não desperdiça argumentos. Falando da mesmice da vida, ele, pelo menos por alguns instantes, consegue fazer com que o seu ouvinte esqueça que "as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; novas são a cada manhã, grande é a tua fidelidade" (Lamentações 3:22-23). O que ele está usando, no fundo, é um recurso da apologética. Colocando-se no lugar de inimigo das coisas de Deus, ele é propositalmente provocador, chegando às fronteiras da blasfêmia, para depois mostrar o que significa, na verdade, um mundo sem Deus. Primeiro, o Pregador encurrala os seus ouvintes nos limites do seu pequeno mundo, debaixo do sol, de tal maneira que eles não parem para olhar nem pensar além do que lhes é próximo e palpável. Salvo engano meu, foi Churchill que disse que, ao entrar numa igreja o homem deve tirar o chapéu, mas não a cabeça. Depois desse choque inicial, os ouvintes do Pregador estão preparados para atender um convite que lhes foi feito e eles ainda não perceberam: pensem, pensem, pensem...
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Re: Eclesiastes

Mensagempor Hélio » Sáb Jan 17, 2009 9:38 am

Passemos para o 2º capítulo de Eclesiastes, na versão Almeida Revista e Atualizada:


Ecl 2:1 Disse eu a mim mesmo: Ora vem, eu te provarei com a alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.
Ecl 2:2 Do riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve estar.
Ecl 2:3 Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne, sem deixar de me guiar pela sabedoria, e como me apoderar da estultícia, até ver o que era bom que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu, durante o número dos dias de sua vida.
Ecl 2:4 Fiz para mim obras magníficas: edifiquei casas, plantei vinhas;
Ecl 2:5 fiz hortas e jardins, e plantei neles árvores frutíferas de todas as espécies.
Ecl 2:6 Fiz tanques de águas, para deles regar o bosque em que reverdeciam as árvores.
Ecl 2:7 Comprei servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e de rebanhos, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.
Ecl 2:8 Ajuntei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, concubinas em grande número.
Ecl 2:9 Assim me engrandeci, e me tornei mais rico do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
Ecl 2:10 E tudo quanto desejaram os meus olhos não lho neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; pois o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e isso foi o meu proveito de todo o meu trabalho.
Ecl 2:11 Então olhei eu para todas as obras que as minhas mãos haviam feito, como também para o trabalho que eu aplicara em fazê-las; e eis que tudo era vaidade e desejo vão, e proveito nenhum havia debaixo do sol.
Ecl 2:12 Virei-me para contemplar a sabedoria, e a loucura, e a estultícia; pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que já se fez!
Ecl 2:13 Então vi eu que a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas.
Ecl 2:14 Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; contudo percebi que a mesma coisa lhes sucede a ambos.
Ecl 2:15 Pelo que eu disse no meu coração: Como acontece ao estulto, assim me sucederá a mim; por que então busquei eu mais a sabedoria; Então respondi a mim mesmo que também isso era vaidade.
Ecl 2:16 Pois do sábio, bem como do estulto, a memória não durará para sempre; porquanto de tudo, nos dias futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o estulto!
Ecl 2:17 Pelo que aborreci a vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e desejo vão.
Ecl 2:18 Também eu aborreci todo o meu trabalho em que me afadigara debaixo do sol, visto que tenho de deixá-lo ao homem que virá depois de mim.
Ecl 2:19 E quem sabe se será sábio ou estulto? Contudo, ele se assenhoreará de todo o meu trabalho em que me afadiguei, e em que me houve sabiamente debaixo do sol; também isso é vaidade.
Ecl 2:20 Pelo que eu me volvi e entreguei o meu coração ao desespero no tocante a todo o trabalho em que me afadigara debaixo do sol.
Ecl 2:21 Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, e ciência, e destreza; contudo, deixará o fruto do seu labor para ser porção de quem não trabalhou nele; também isso é vaidade e um grande mal.
Ecl 2:22 Pois, que alcança o homem com todo o seu trabalho e com a fadiga em que ele anda trabalhando debaixo do sol?
Ecl 2:23 Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho é vexação; nem de noite o seu coração descansa. Também isso é vaidade.
Ecl 2:24 Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer que a sua alma goze do bem do seu trabalho. Vi que também isso vem da mão de Deus.
Ecl 2:25 Pois quem pode comer, ou quem pode gozar. melhor do que eu?
Ecl 2:26 Porque ao homem que lhe agrada, Deus dá sabedoria, e conhecimento, e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dá-lo àquele que agrada a Deus: Também isso é vaidade e desejo vão.
Ecl 2:24 Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus.
Ecl 2:25 Pois quem pode comer, ou quem pode gozar melhor do que eu?
Ecl 2:26 Porque ao homem que é bom diante dele, dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e amontoe, para dá-lo ao que é bom perante Deus. Também isto é vaidade e aflição de espírito.
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Re: Eclesiastes

Mensagempor Hélio » Sáb Jan 17, 2009 9:40 am

Depois de passar o capítulo 1 "desconstruindo" algumas verdades que as pessoas têm por inquestionáveis na vida, no início do capítulo 2 de Eclesiastes, o Pregador passa à construção de alguns pilares do seu ensino. Primeiro, ele começa a experimentar algumas hipóteses para ver se alguma delas se encaixa no bem supremo da vida, que deve ser buscado e alcançado pelos mortais. A primeira hipótese que ele, digamos, "testa", é a do hedonismo, antes mesmo que o hedonismo viesse a ser especulado pelos filósofos pós-socráticos na Grécia na transição do século V para o IV antes de Cristo. O hedonismo, muito simplificadamente, é uma corrente filosófica que defende a busca do prazer imediato, aqui e agora, o prazer pelo prazer, como a suprema felicidade. Logo no v. 1, o Pregador testa esta hipótese, mas também considera o hedonismo como vaidade, pois, para ele, o riso é loucura (ou tolice) e a alegria de nada serve (v. 2). O Pregador cogita, então, de se entregar ao vinho e à loucura, mas preservando a sabedoria (v. 3). Isto não significa propriamente embriagar-se, mas permitir algum tipo de privação mínima dos sentidos, como aquele que toma algumas taças de vinho, e começa a rir e falar imoderadamente, mas também nisso o Pregador não encontrou resposta aos seus anseios. Desde já, entretanto, apresenta a sabedoria como uma espécie de moderadora, controladora, desta busca. E, a seguir, testa as riquezas, a ostentação, o consumismo, o "ter" em vez de "ser", como uma possível razão para a felicidade (vv. 4-11), mas tudo era também "vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol" (v. 11). O estranho é que muitos pregadores atuais encontram somente no "ter" sinais distintivos de um verdadeiro cristão. Certamente, não lêem ou não pregam Eclesiastes.

Todas essas coisas eram vistas àquela época, e continuam sendo vistas assim até hoje, como aquilo que uma palavra só consegue definir: o "sucesso". O sucesso sempre foi um critério mundano para se definir, à primeira vista, se uma pessoa é ou não é feliz. O sucesso desperta a inveja, mas este é um tema que guardaremos para outra oportunidade. Por ora, basta constatar que, como a própria experiência atual nos mostra, o sucesso não é duradouro, e muitas vezes faz mal. O exemplo de artistas que não conseguiram lidar com o sucesso, e muitas vezes sucumbiram a ele, está estampado todos os dias nos jornais e na televisão. Quando ninguém os conhece, eles querem atingir o sucesso a todo custo, a qualquer preço, e quando finalmente o conseguem, vêem que não lhes basta, há algo mais do que o sucesso a ser buscado, este sucesso que não consegue preencher o vazio que eles têm. O mesmo acontece com aquele que busca o prazer pelo prazer. Os hedonistas sabem que o prazer nunca é suficiente, e é sempre necessário algo mais, daí a razão de muitos se entregarem à luxúria, às drogas, à violência, e se perderem pelo caminho. O paradoxo hedonista é que, quanto mais se busca o prazer, menos ele é encontrado (ou, pelo menos, mais ele foge). Tudo isto é, como o Pregador diz, "correr atrás do vento", e como Jesus também disse, "o vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai" (João 3:8).

A partir do v. 12, o Pregador passa a considerar a sabedoria, que já lhe havia servido como moderadora da embriaguez e da loucura (v. 3). Aqui, o Pregador já vê na sabedoria algo melhor do que a estultícia, já que "a luz traz mais proveito do que as trevas" (v. 13). Entretanto, tanto o sábio como o estulto terminam do mesmo jeito (vv. 14-15). Logo, por que buscar a sabedoria? Não seria isto também vaidade? Dentro da sua dialética toda peculiar, o Pregador primeiro vê alguma vantagem na sabedoria, mas depois volta atrás e se pergunta se ela é realmente tão vantajosa assim e, tanto a memória do sábio como a do estulto não durará para sempre, pois passado algum tempo, "tudo cai no esquecimento". Pela primeira vez, o Pregador fala da morte no seu discurso (v. 16). Aqui, a meu ver, ele passa a delinear uma resposta às suas questões, e começa a erguer dois pilares para sustentar seu pensamento e suas conclusões que só apresentará no final do livro. Um desses pilares, bastante claro, é a sabedoria. O outro é a eternidade. Ele vem falando da inutilidade do sucesso, e no v. 16 mostra que a tendência natural do mundo é que tudo e todos sejam esquecidos. A morte nos nivela a todos, indistintamente. É necessário, então, ligar este versículo com outro do capítulo 3, aquele que diz que Deus "pôs a eternidade no coração do homem" (3:11). Por um certo tempo da minha vida, por uma série de razões profissionais e sociais, eu convivi com muitas pessoas famosas, daquelas que integram o glamoroso mundo das celebridades. Naquela época, eu comecei a pensar sobre o que significava a fama, afinal. O que é esta tal de fama, que tanta gente busca, mas nunca se sacia? Foi aí que eu percebi que todos aqueles que buscam a fama, no fundo, buscam uma maneira de se eternizar. Diante da mortalidade que nos limita a todos, e diante também deste desejo de eternidade que Deus colocou no coração do homem, a fama é um recurso que muitos buscam para tentar driblar a mortalidade e inscrever-se na eternidade. É verdade que muitos conseguem ser recordados e cultuados por algum tempo, mas a sua lembrança vai gradualmente se desfazendo e desaparecendo da memória coletiva. Quantas vezes ouvimos que "o brasileiro tem memória curta", mas será só o brasileiro que se esquece fácil e rapidamente? Penso que a verdade está com Davi, que teve coragem de dizer: "Sou esquecido como um morto de quem não há memória; sou como um vaso quebrado" (Salmo 31:12). O Pregador retornará a este tema em Eclesiastes 9:5, quando dirá que a memória dos mortos "jaz no esquecimento".

A partir do v. 18, o Pregador começa a finalizar o capítulo 2 de Eclesiastes falando sobre o trabalho e a herança. De que vale, afinal, trabalhar tanto? Quem se dedica ao trabalho a ponto de se tornar um "workaholic" é sábio ou estulto? De que adianta trabalhar tanto, morrer de repente e deixar tudo para quem não derramou uma gota de suor para merecer a herança? (vv. 18-21). Como Jesus disse numa de suas parábolas, sobre o homem rico que queria construir mais celeiros: "Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" (Lucas 12:20). De que adianta levar trabalho do escritório à noite para casa (v. 23)? Ou seja, o "debaixo do sol" de que tanto fala o Pregador, corre o risco de se tornar "debaixo da lua" (v. 22). Deve o homem, então, simplesmente parar de trabalhar e esperar o tempo passar? "Não", é a resposta do Pregador. O homem deve trabalhar e conseguir o suficiente para "comer, beber e fazer com que a sua alma goze o bem do seu trabalho", sempre reconhecendo que é a mão de Deus que lhe proporciona estas alegrias simples da vida (v. 24). Aqui, o Pregador constrói um terceiro pilar para sustentar suas conclusões: a providência divina. É Deus, afinal, quem "dá sabedoria, conhecimento e prazer ao homem que lhe agrada", ressalvando que "ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus" (v. 26). O trabalho não é nenhum mal em si, mas é o seu uso deturpado, ou a sua valorização excessiva, que o torna uma pedra de tropeço (e muitas vezes, de morte) para o ser humano.
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Re: Eclesiastes

Mensagempor Hélio » Sáb Fev 28, 2009 9:20 am

Agora, o capítulo 3 de Eclesiastes, na versão Almeida Corrigida Fiel:

Ecl 3:1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Ecl 3:2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Ecl 3:3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Ecl 3:4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Ecl 3:5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Ecl 3:6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Ecl 3:7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Ecl 3:8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Ecl 3:9 Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?
Ecl 3:10 Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.
Ecl 3:11 Tudo fez formoso em seu tempo; também pós o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Ecl 3:12 Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;
Ecl 3:13 E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.
Ecl 3:14 Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.
Ecl 3:15 O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.
Ecl 3:16 Vi mais debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade.
Ecl 3:17 Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.
Ecl 3:18 Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.
Ecl 3:19 Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.
Ecl 3:20 Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.
Ecl 3:21 Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?
Ecl 3:22 Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?
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Hélio
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Re: Eclesiastes

Mensagempor Hélio » Sáb Fev 28, 2009 9:28 am

O capítulo 3 de Eclesiastes começa com os "tempos" de Salomão, "tudo tem o seu tempo determinado" (v. 1), numa sucessão de situações cotidianas e corriqueiras do homem, que ocorrem a todos, sejam elas negativas ou positivas, como o "tempo de chorar e tempo de rir" (v. 4), que são situações efêmeras, ou seja, que acontecem a todos, mas passam, o que Salomão aproveita para contrastar com a "eternidade no coração do homem" do v. 11. Essa relação de "tempo para tudo" dos vv. 1-8 se relaciona, necessariamente a meu ver, com (novamente) a questão do trabalho dos vv. 9-10. De novo, o Pregador pergunta: "Que proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga?" (v. 9, repetindo 1:3 e 2:24). O trabalho é visto como algo que Deus impôs ao homem (v. 10), para que se cansassem e se preocupassem, como conseqüência da queda de Adão. Talvez, se não houvesse o pecado original, estaríamos todos ainda nos deliciando com o dolce far niente do Éden. Viveríamos apenas para a adorar a Deus e desfrutar da Sua Presença. E é nesse contexto que me parece que podemos ler a "eternidade no coração do homem", "do princípio até ao fim" (v. 11) como um lembrete de que ainda existe uma conexão entre a dureza da vida que levamos "debaixo do sol" (v. 16) e a eternidade. Esta conexão é, de novo, a providência divina, que permite ao "homem comer, beber e desfrutar o bem de todo o seu trabalho" (v. 13). A vida, o trabalho, sem Deus, é um mero "tanto faz". Para quem crê em Deus há sempre a esperança de que esta monotonia seja invadida pelo Seu renovo a cada manhã (Lamentações 3:22-23). Aqui eu ouso interpretar o v. 15 desta maneira, como algo que Deus busca no passado não para condenar o homem, mas para ajudá-lo, libertá-lo, e aliviar as dores do seu presente com a promessa de um futuro. O v. 15 é fruto de várias controvérsias quanto à melhor tradução de sua parte final, a de que "Deus fará renovar-se o que se passou" (Almeida Revista e Atualizada). Na Bíblia Anotada por Charles C. Ryrie (da Mundo Cristão), que adota esta versão, ele comenta que "o sentido deste versículo é este: Deus ordenou o ciclo contínuo de acontecimentos da vida; o mesmo pensamento encontra-se no versículo 1". Outras versões portuguesas assim a traduzem (com as respectivas explicações, quando houver):

- "Deus pede conta do que passou" (Almeida Revista e Corrigida)

- "Deus procura o que desapareceu" (Bíblia de Jerusalém, que explica: "lit.: "o que é caçado, o que fugiu", isto é, o passado)

- "Deus vai no encalço daquilo que foge" (Bíblia do Peregrino, que explica: "A visão cíclica parece responder a essa objeção: como o sol, o vento e a água têm seus ciclos (1,3-6), assim os acontecimentos retornam perpetuamente. Isso parece difícil ao homem, mas Deus "vai no encalço daquilo que foge" para fazê-lo voltar)

- "Deus investigará o passado" (NVI)

- "Deus vai em busca do que passou" (Tradução Ecumênica)

A razão para esta multiplicidade de traduções é que as duas palavras hebraicas (בּקשׁ - bâqash – e רדף - râdaph) permitem essas diferentes interpretações. Por bâqash, originalmente, se entende um processo de busca interior mediante oração e adoração, e por râdaph se pode entender "perseguir algo ou alguém" ou "fazer fugir". Há outras variantes que também podem ser aplicadas nessa tradução. Para mim, a versão Almeida Revista e Atualizada é a que melhor explica o contexto todo, de um permanente e alternado ciclo renovador das situações da vida. Nós vemos apenas uma ínfima parte, enquanto Deus vê o todo. "Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido" (1 Coríntios 13:12). Assim, os tempos humanos são uma pálida perturbação da eternidade. Nem tudo é dor, há também alívio e alegria; nem tudo é morte, há também vida, e Deus está no comando de tudo isso. Há tempo, inclusive, para a investigação e o julgamento dos pecados do homem, e aqui o Pregador começa a compará-lo com os animais (vv. 18-21). Neste trecho, há uma grande controvérsia entre aqueles que defendem a imortalidade da alma do crente e do ímpio (a imensa maioria das correntes teológicas), e os que defendem a aniquilação das almas dos ímpios e o sono da alma do crente enquanto aguarda o juízo final (como defendem os adventistas). O problema é a palavra hebraica רוּח (rûach), que pode ser traduzida por fôlego, sopro, e também por alma ou espírito. Para quem quiser se aprofundar no tema, eu recomendo uma análise bastante interessante dessas duas posições neste capítulo de Eclesiastes, que está em:

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