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O fim deste mandamento é que, mortos para os nossos próprios interesses e obras, meditemos no Reino de Deus e a essa meditação nos apliquemos com os meios por ele estabelecidos. Contudo, uma vez que tem este mandamento uma consideração peculiar e distinta dos outros, ele requer ordem de exposição um pouco diferente. Os antigos costumam chamá-lo um mandamento prefigurativo, porque contém a observância externa de um dia, a qual foi abolida, com as demais figuras, na vinda de Cristo, o que certamente é dito por eles com verdade, mas ferem a questão apenas pela metade. Por isso tem-se de buscar uma exposição mais profunda e levar em consideração três causas pelas quais, a mim me parece ficar patente, eles têm observado este mandamento.
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Afinal, que o ser humano consta de alma e corpo, deve estar além de toda controvérsia. E pela palavra alma entendo uma essência imortal, contudo criada, que lhe é das duas a parte mais nobre. Por vezes também é chamada espírito. Ora, ainda que estes dois termos difiram entre si em sentido quando ocorrej juntos, contudo, onde o termo espírito é empregado separadamente, equivale a alma, como quando Salomão, falando da morte, diz que "o espírito retorna então a Deus, que o deu" [Ec 12.7]. E Cristo, encomendando o espírito ao Pai [Lc 23.46], como também Estêvão o seu a Cristo [At 7.59], não entendem outra coisa senão isto: quando a alma é liberada do cárcere da carne, Deus lhe é o perpétuo guardião.
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Não exijo que o viver do homem cristão nada exale senão o evangelho absoluto, o qual, no entanto, não se deve exatamente só almejar, mas também necessário se faz intentar. Contudo, não exijo perfeição evangélica em moldes tão estritos que não se possa reconhecer como cristão aquele que não a haja ainda atingido plenamente.
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Acresce que nosso Senhor não tinha nenhuma necessidade de tomar sobre si a cruz, a não ser para atestar e provar sua obediência ao pai; a nós, porém, por muitas razões se faz indispensável passar a vida debaixo de uma cruz permanente. Acima de tudo, como somos sobremodo propensos, de natureza, salvo se nossa fraqueza nos tenha sido demonstrada ante nossos olhos, que tudo se atribui à nossa carne, facilmente estimamos nossa própria capacidade acima da justa medida; nem duvidamos que, não nos importa o que nos sobrevenha, ela não se quebranta e é insuperável contra todas as dificuldades. Daí somos transportados à confiança estulta e vã da carne, fundamentados na qual então nos inflamos insolentemente de orgulho em relação ao próprio Deus, como se nossos próprios recursos nos fossem suficientes sem sua graça.
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Ainda que a lei do Senhor tenha mui excelente e de forma mui conveniente formulado sistema de regular-se a vida cristã, contudo, pareceu bem ao Mestre celestial conformar os seus à própria regra que prescrevera na lei, buscando formulação ainda mais precisa. Aliás, desta formulação, o princípio é este: que é dever dos fiéis "apresentar seus corpos a Deus por sacrifício vivo, santo e a ele aceitável", e este é o fundamento do culto legítimo [Rm 12.1]. Daí se segue a exortação de "não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que experimenteis qual seja a vontade de Deus" [Rm 12.2].
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Outra é a situação das cerimônias, as quais foram abolidas não no efeito, mas somente no uso. Embora, por sua vinda, Cristo lhes tenha posto fim, nada lhes subtraiu à santidade: ao contrário, ainda mais a recomenda e enaltece. Ora, assim como ao povo antigo teriam as cerimônias oferecido um espetáculo vazio, salvo se nelas fosse revelado o poder da morte e da ressurreição de Cristo, assim também, se elas não cessassem, hoje não seria possível discernir com que propósito foram instituídas.
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Ora, na benevolência divina, à qual dizemos que a fé contempla, entendemos que se obtém a posse da salvação e da vida eterna. Ora, se não pode faltar-nos bem algum quando Deus nos acolhe sob sua proteção, é suficiente segurança de nossa salvação que ele nos testifique o amor que nos tem. "Mostre ele sua face", diz o Profeta, "e seremos salvos" [Sl 80.3,7,19].
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O leitor deve já perceber com que gênero de equanimidade e justiça maquinam hoje os sofistas contra nossa doutrina, quando dizemos que o homem é justificado tão-somente pela fé [Rm 3.28]. Não ousam negar que o homem é justificado pela fé, uma vez que essa afirmação é reiterada na Escritura com tanta freqüência. Mas, visto que em parte alguma o termo somente é expresso, não admitem que se faça tal afirmação. Porventura é assim mesmo? Mas, que replicarão a estas palavras de Paulo onde ele contende que, a não ser que essa justiça seja gratuita, não pode ser justiça da fé? [Rm 4.2-5]. Como é possível que com obras o que é gracioso se enquadre? Além disso, com que astúcias descartam o que Paulo diz em outro lugar [Rm 1.17]: que a justiça de Deus se manifesta no evangelho?
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Os absurdos com que nos querem gravar estão repletos de calúnias infantis. Consideram ser vergonhoso e desonroso o fato de Cristo haver procedido de homens, porque não teria podido eximir-se da lei comum, a qual, sem exceção, inclui atoda a descendência de Adão sob o pecado [Gl 3.22]. Com efeito, esta dificuldade facilmente é resolvida pela antítese que se lê em Paulo: "Assim como por um só homem entrou o pecado, e pelo pecado de um só, a morte, assim pela justiça de um homem abundou a graça" [Rm 5.12, 15, 18]. A que corresponde também outra: "O primeiro Adão era da terra, um homem terreno e animal; o segundo Adão era do céu, um homem celestial" [1 Co 15.47]. E assim, em outro lugar [Rm 8.34], ensinando que Cristo foi enviado em semelhança da carne de pecado para que satisfizesse à lei, o mesmo Apóstolo o distingue expressamente da condição geral da humanidade, para que seja verdadeiro homem, sem imperfeição e corrupção.
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Mas a Escritura nos humilha ainda mais e, no entanto, ao mesmo tempo, também nos exalta. Ora, além de vedar que se glorie nas obras, visto que são dádivas graciosas de Deus, concomitantemente ensina que elas estão sempre sujas de certas poluições; de sorte que, se forem examinadas de conformidade com o padrão de seu juízo, não podem satisfazer a Deus.
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Segue-se a ressurreição dentre os mortos, sem a qual estaria incompleto o que temos dito até aqui. Ora, uma vez que na cruz, morte e sepultamento de Cristo nada revelam senão fraqueza, todas essas coisas têm de ser ultrapassadas pela fé para que ela se revista de pleno vigor. E assim, embora tenhamos em sua morte a firme consumação de nossa salvação, visto que, por meio dela, não só fomos reconciliados com Deus, mas também ele fez satisfação ao justo juízo, e removida foi a maldição e totalmente paga a pena, somos, no entanto, declarados regenerados para uma viva esperança, não mediante sua morte, mas por meio de sua ressurreição [1 Pe 1:3]; porque, como ele, ao ressurgir, se enalteceu como vencedor da morte, assim a vitória de nossa fé afinal se assenta em sua própria ressurreição.
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Em nada é mais branda a condenação do coração, quando se diz ser enganoso acima de todas as coisas e depravado [Jr 17.9]. Mas, visto que estou tentando ser breve, contentar-me-ei com apenas uma passagem, a qual, no entanto, haverá de ser como um espelho caríssimo, em que contemplamos a imagem integral de nossa natureza.
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Daqui se pode ajuizar quão pernicioso seja esse dogma escolástico de que não podemos estabelecer de outro modo quanto à graça de Deus para conosco do que por uma conjetura moral, segundo cada um não se reputa indigno dela. Certamente, se houvéssemos de julgar por nossas obras que afeto Deus nos tem, confesso que não o podemos compreender nem pela menor conjetura do mundo.
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Com sua clareza e objetividade características, Calvino começa sua extensa discussão sobre os sacramentos nas Institutas oferecendo duas definições do que ele entende ser um sacramento.
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