Mas, que vale combater por meio de humilde argumentação, obtendo uma vitória inglória para a doutrina, quando é possível apresentar exemplos mais honrosos para demonstrar a excelência irrefutável da glória do Espírito?
Mas, que vale combater por meio de humilde argumentação, obtendo uma vitória inglória para a doutrina, quando é possível apresentar exemplos mais honrosos para demonstrar a excelência irrefutável da glória do Espírito?
São João Crisóstomo (347 – 407) viveu a maior parte da sua vida no século IV e estava, portanto, ainda muito perto das fontes originais do cristianismo, e conhecia de maneira muito próxima e confiável o que os apóstolos haviam ensinados aos seus seguidores. É muito interessante ver a maneira como ele aborda o texto de 1ª Coríntios 15:29, em que Paulo faz uma ironia sobre aqueles que se deixam batizar pelos mortos.
Eis que, de repente, ouço uma voz vinda da casa vizinha. Parecia um menino ou menina repetindo continuamente uma canção: “Toma e lê, toma e lê”. Mudei de semblante e comecei com a máxima atenção a observar se se tratava de alguma cantilena que as crianças gostam de repetir em seus jogos. Não me lembrava, porém, de tê-la ouvido antes.
Nesses tempos bicudos em que estamos vivendo, em que a pregação recorrente é que o cristão só tem direitos, que ninguém pode levar o que é seu, que ele tem que "tomar posse" de todas as bênçãos, que Deus tem que "honrá-lo" com riquezas numa espécie de "contrato" em que o Senhor entra com os bens e o ser humano com os "decretos" e "determinações", e que a prosperidade é o selo que identifica o crente, é sempre muito bom voltar no tempo e verificar como os Pais da Igreja tratavam do tema. São João Crisóstomo (349-407), bispo de Constantinopla num curto período entre 397 e 404, quando foi deposto por intrigas com o clero e a imperatriz Eudóxia, foi um dos mais importantes teólogos e escritores do início da Igreja Cristã, deixando-nos uma enorme obra que nos permite compreender quais eram as linhas centrais da doutrina dos primeiros séculos do cristianismo. Nas suas homilias sobre a Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, Crisóstomo comenta sobre como o cristão devia se portar em relação ao dinheiro e aos seus direitos quando fosse lesado ou injustiçado, ensinando um comportamento muito diferente do que vemos e ouvimos nos púlpitos hoje em dia.
Basílio profere esta Homilia ainda como sacerdote, auxiliar do bispo Eusébio de Cesaréia, a quem sucederá em 370. A ocasião que a provoca é a exasperação de uma situação que vinha se prolongando e que atingiu seu ápice depois de longa estiagem abrangendo toda a Capadócia nos anos 368-369 (cf. Epist. 27; 31). A situação é, de fato, desesperadora: "Gemidos dos povos, lágrimas sem trégua, nas casas e nas praças públicas, de todos aqueles que deploram mutuamente seus sofrimentos. (...) As lamentações reboam nas cidades, nos campos, nos caminhos, no deserto. Não há uma voz capaz de dizer os males lamentáveis que nos esmagam a todos. (...) Nossas festas são mudadas em luto; as casas de oração estão fechadas; desertos os altares onde se celebrava o culto espiritual. Mais nenhuma reunião dos cristãos; nada de escolas para ensinar a doutrina; nenhuma lição salutar, nenhum panegírico, nada de hinos cantados durante a noite; mais nada desta feliz exaltação das almas que as reuniões e a partilha dos carismas espirituais fazem nascer nos que são fiéis ao Senhor" (Epist. 234).
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