• Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

    Mateus 5:44,45

  • Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível

    .

    Mateus 17:20

  • Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

    Lucas 15:4

  • Então ele te dará chuva para a tua semente, com que semeares a terra, e trigo como produto da terra, o qual será pingue e abundante. Naquele dia o teu gado pastará em largos pastos.

    Isaías 30:23

  • As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

    João 10:27

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Verso do dia

A eucaristia para os Pais da Igreja

Escrito por  Justo Gonzalez
eucaristiapais

Como era vista a eucaristia nos primórdios da Igreja Cristã?

O que eles entendiam por transubstanciação?

É a essas perguntas que apresentamos algumas respostas dos padres da Igreja, como Inácio de Antioquia, Orígenes e Tertuliano.

(todos os excertos abaixo estão nas páginas indicadas do livro de GONZALEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. vol. 1)

SOBRE OS PAIS APOSTÓLICOS EM GERAL:

Todos os pais apostólicos vêem no batismo um verdadeiro poder de purificação, mas parece que eles se esqueceram do simbolismo de morte e ressurreição encontrado no apóstolo Paulo. Com relação à eucaristia, não há dúvida de que ela é o centro da adoração cristã, embora ainda não encontremos uma discussão sistemática ou mais clara sobre a natureza da presença de Cristo, nem há qualquer poder atribuído às palavras da instituição em si mesmas. (p. 94)

DIDAQUÊ:

Os capítulos 9 e 10, juntamente com o capítulo 14, têm sido objeto de debates eruditos desde que a Didaquê foi descoberta. Os capítulos 9 e 10 tratam de uma refeição da qual somente o pão e o vinho são mencionados, e que é chamada de "eucaristia", mas na qual estes representam comer sua suficiência. O capítulo 14, por outro lado, refere-se à refeição que ocorre no dia do Senhor, precedida por um ato de confissão, e que é considerada um "sacrifício". A questão é se os vários capítulos devem ser entendidos como se referindo a um único tipo de celebração, ou se os primeiros dois se referem ao ágape ou festa do amor, enquanto que o último se refere à eucaristia no estrito sentido. Também existe a possibilidade de que em certas ocasiões a eucaristia fosse celebrada dentro da festa do amor. (p. 69)

No décimo quarto capítulo, há uma outra referência à eucaristia. Ela é chamada de um "sacrifício"; porém parece não referir-se ao sacrifício ode Cristo, mas à comunhão como um sacrifício que os cristãos apresentam perante Deus. (p. 70)

INÁCIO DE ANTIOQUIA

Inácio não oferece uma exposição sistemática dos sacramentos, mas não há dúvida de que para ele a eucaristia era da maior importância. Ele a chamava de "a carne de Jesus cristo" e também de "o medicamento da imortalidade, o antídoto que resulta não em morrer mas em viver eternamente em Jesus Cristo". Contudo, essas afirmações não devem necessariamente ser entendidas como uma clara afirmação de que o pão se torna fisicamente a carne de Cristo, pois em outros contextos Inácio falava do evangelho e da fé como a carne de Cristo, e do amor como seu sangue. Ao afirmar que o evangelho e a eucaristia são a carne de Cristo, Inácio simplesmente está enfatizando a unidade que existe entre Cristo e o evangelho, ou entre ele e a eucaristia. Por outro lado, isto não sugere que Inácio veja a eucaristia como um mero símbolo da unidade cristã. Pelo contrário, a comunhão é necessária para a vida cristã, e somente os hereges se afastam dela. Nela o crente se une a Cristo, especialmente á sua paixão. Além do mais, na eucaristia "os poderes de Satanás são destruídos e sua força destrutiva é aniquilada pela concórdia da vossa fé" (Carta aos Efésios 13:1).

Seria um anacronismo indagar se Inácio contempla a eucaristia em termos simbólicos ou realísticos. A verdade parece ser que ele - talvez influenciado pela religião de mistério - vê na eucaristia, pelo fato de encerrar uma representação da paixão de Cristo, um ato por meio do qual o crente se une a esta paixão. (pp. 77-78)

JUSTINO MÁRTIR

A importância de Justino para o historiador não se limita apenas ao que ele nos informa no tocante ao relacionamento da fé cristã com a filosofia pagã e com o Antigo Testamento. Sua importância se deve também ao fato de ter preservado informações concernentes à adoração cristã primitiva, especialmente sobre o batismo e a eucaristia. Com referência à eucaristia, Justino afirma que o alimento que é recebido é carne e o sangue de Jesus; mas ele também declara que ele ainda é alimento no sentido de que ele nutre os corpos daqueles que dele participam:

Pois nós os recebemos não como pão comum e bebida comum; mas da mesma maneira como Jesus Cristo nosso salvador, tendo sido feito carne pela Palavra de Deus, tinha tanto carne como sangue para nossa salvação, assim igualmente temos sido ensinados que o alimento, o qual é abençoado pela oração de Sua palavra, e do qual nosso sangue e carne são nutridos pela transmutação, é a carne e o sangue daquele Jesus que tornou-se carne. (I Apologia 66.2)

(p. 163)

IRINEU DE LIÃO

Como a Adversus haereses não pretende ser uma exposição sistemática da doutrina cristã, Irineu discute a eucaristia somente para refutar heresias, e especialmente para contradizer o desprezo dos hereges pela carne e pela matéria. Por causa disso, não temos uma exposição detalhada e ordenada de sua teologia eucarística. Contudo, é possível extrair algumas conclusões a respeito desse assunto a partir dos textos polêmicos da Adversus haereses. De acordo com Irineu, na eucaristia os membros do corpo de Cristo são nutridos por ele, unindo-se a seu Senhor e participando de sua vida e de seu sangue. Ao beber o cálice e ao comer o pão, os crentes são nutridos pelo corpo e pelo sangue de Cristo de um modo tão real que podemos crer em sua ressurreição final, pois o corpo e o sangue que tomamos são imortais. Na eucaristia, além disso, Cristo nos mostra que a criação não deve ser desprezada, pois ele mesmo usa o pão e o vinho, que são parte da criação, como nutrição para aqueles que crêem nele. (p. 164)

TERTULIANO

Sobre a eucaristia, Tertuliano não é nem claro nem detalhado, e não se sabe ao certo se ele a interpretava em termos realísticos ou em termos simbólicos, ainda que a própria proposição da questão provavelmente seja um anacronismo. (p. 179)

CLEMENTE DE ALEXANDRIA

Contudo, devemos tomar cuidado para não interpretar a doutrina da salvação de Clemente em termos excessivamente individualistas, pois a igreja tem um papel importante no processo de salvação. A igreja é a Mãe dos Fiéis, e é dentro dela que o processo de iluminação e divinização ocorre, o que leva o cristão a viver a "verdadeira gnosis". Adentra-se à igreja por meio do batismo, e dentro dela se é alimentado por meio da eucaristia. O batismo é a purificação do pecado, e é neste ato que ocorre a iluminação que está na raiz da vida cristã. Clemente não acredita que um cristão recebe a plenitude desta vida no batismo; este é somente o ponto de partida para um crescimento adicional que deve conduzir à perfeição. Por outro lado, a eucaristia é realmente eficaz como um meio de nutrir a fé e fazer seu participante compartilhar da imortalidade, o que não significa que o pão é literalmente o corpo de Cristo, ou que o vinho é seu sangue. (p. 199)

ORÍGENES

Ainda que a exposição da teologia de Orígenes, oferecida nas páginas anteriores, possa dar ensejo a essa impressão, Orígenes não era um individualista que se colocava em oposição à vida e à fé da igreja, a fim de ficar livre para suas próprias especulações. Pelo contrário, quando ele está pronto para decolar em mais um de seus pessoais e característicos vôos especulativos, ele deixa claro que esta é uma questão de opinião pessoal e que a regra de fé nada diz a respeito da questão que será tratada. Além disso, Orígenes reconhece o papel da igreja e dos sacramentos no plano de salvação. À parte da igreja, ninguém poderá ser salvo - embora Orígenes interprete a igreja não tanto em termos de uma unidade hierárquica, mas sim como uma comunidade da fé. Os sacramentos trabalham para a santificação daqueles que os recebem, e na eucaristia Cristo está real e fisicamente presente, embora, por outro lado, o fiel que possui alguns dons intelectuais deve ir além desta interpretação comum e vislumbrar o significado simbólico do sacramento. (p. 219)

Uma História do Pensamento Cristão - 3 volumesGONZÁLEZ, Justo L., "Uma História do Pensamento Cristão". São Paulo: Cultura Cristã, 2004. vol. 1.

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