e-cristianismo

  • Full Screen
  • Wide Screen
  • Narrow Screen
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Deutsch (DE-CH-AT)Español(Spanish Formal International)Português (Brasil)English (United Kingdom)

Vida de Martim de Tours

O caso mais claro, porém, da maneira com que um monge, bispo e santo contribuiu para a popularidade do ideal monástico temos em Martim de Tours. A Vida de São Martim, escrita por Sulpício Severo, foi um dos livros mais populares em toda a Europa durante vários séculos, e contribuiu para forjar o monaquismo ocidental, que foi tão importante para a história da igreja.

Martim nasceu por volta de 335 na região da Polônia, onde hoje é a Hungria. Seu pai era um soldado pagão, e por isso durante sua infância Martim esteve em diversas partes do Império, se bem que a cidade de Pavia, no norte da Itália, parece ter sido o lugar onde residiu com mais freqüência. Ele tinha dez anos quando decidiu ser cristão, contra a vontade de seus pais, e mandou incluir seu nome na lista dos catecúmenos – isto é, os que se preparavam para receber o batismo. Seu pai, para separá-lo do contato com os cristãos, fez com que ele ingressasse no exército. Era o tempo em que Juliano – depois conhecido como “o Apóstata” – dirigia suas primeiras campanhas militares. Martim esteve a seu serviço durante vários anos, e durante este período, conta-se, ocorreu o episódio mais famoso de sua vida.

Martim e seus companheiros estavam entrando na cidade de Amiens quando um mendigo seminu, tiritando de frio no meio da neve, lhes pediu uma esmola. Martim não tinha dinheiro para lhe dar, mas tomou sua capa, rasgou-a em duas partes, e lhe deu a metade. Nesta noite Martim viu em sonhos Jesus Cristo envolto em sua meia capa, dizendo-lhe: “Tudo o que fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste”.

Este episódio ficou tão famoso que a partir de então Martim geralmente é representado repartindo sua capa com o mendigo. Além disto deriva deste episódio nosso termo “capela”, pois algum tempo depois era conservada em um pequeno templo o que se dizia ser a meia capa – a “capela” de Martim – e daquele pequeno templo nossas “capelas” e nossos “capelães” de hoje derivam seu nome.

Pouco depois do incidente de Amiens, Martim recebeu o batismo, e finalmente depois de dois anos pôde abandonar o serviço militar. Então ele visitou o famoso bispo de Poitiers, Hilário, com quem estabeleceu uma amizade duradoura. Depois diversas tarefas e circunstâncias o levaram a diversas partes do Império, até que por fim se estabeleceu perto de Tours, nas proximidades de Poitiers. Ali ele se dedicou à vida monástica, enquanto sua fama crescia enormemente. Contava-se que através dele Deus operava grandes maravilhas, e que apesar de tudo sua humildade e sua doçura nunca o abandonaram.

Quando o bispado de Tours ficou vago, o povo queria eleger Martim para ocupá-lo. Alguns bispos presentes no processo de eleição, todavia, se opunham a isto, dizendo que Martim era um indivíduo sujo, esfarrapado e de cabelos desgrenhados, que diminuiria o prestígio do cargo de bispo. No meio da discussão chegou a hora de ler as Escrituras, e o leitor não aparecia em nenhum lugar. Então um dos presentes tomou o livro, abriu-o por acaso e começou a ler: “Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingado” (Salmo 8:2). A multidão presente recebeu esta leitura como uma palavra do alto. Martim, o sujo e descabelado que os bispos desprezavam era o escolhido de Deus para fazer calar os que se opunham aos seus planos – isto é, os bispos. Sem mais espera Martim foi feito bispo da cidade de Tours.

O novo bispo, no entanto, não estava disposto a abandonar seu retiro monástico. Mandou construir do lado da catedral uma cela onde ele passava todo o tempo que suas tarefas pastorais lhe deixavam livre. Quando sua fama era tal que as pessoas o importunavam demais ele se retirou para um mosteiro que fundou fora da cidade, e de onde visitava seus fiéis.

Quando Martim morreu muitos o consideravam um santo, e sua fama e exemplo levaram muitos a pensar que todo verdadeiro bispo deveria ser como Martim. Assim o movimento monástico, que em suas origens continha muitos protestos contra o mundanismo e a pompa de muitos bispos, a longo prazo deixou sua marca até mesmo no ideal do bispado.



A Era dos sonhos frustrados

GONZALEZ, Justo L., Uma história ilustrada do cristianismo, Vol. 5, páginas 95 a 102, editora Vida Nova.

Mais artigos :

» A conversão de Agostinho

Eis que, de repente, ouço uma voz vinda da casa vizinha. Parecia um menino ou menina repetindo continuamente uma canção: “Toma e lê, toma e lê”. Mudei de semblante e comecei com a máxima atenção a observar se se tratava de alguma...

» Eusébio descreve o sofrimento dos mártires

Neste impressionante trecho de sua História Eclesiástica, Eusébio de Cesaréia descreve o sofrimento e a coragem dos primeiros mártires cristãos.

» Missões protestantes na Índia e a mudança da sociedade hindu.

O trabalho missionário na Índia era complexo. A princípio, não parecia que a missão de Serampore alcançaria grande número de convertidos. Mas no ano 1800, batizaram o primeiro convertido, um carpinteiro que antes havia escutado o evangelho...

» Motivos para o crescimento cristão dos primeiros séculos

É uma verdadeira desventura que, dado seu próprio caráter, o trabalho de tais cristãos não seja mais bem conhecido, pois, sem dúvida, descobriríamos que sua contribuição para a expansão do cristianismo foi muito maior que as que os textos...

» A eucaristia para os Pais da Igreja

Como era vista a eucaristia nos primórdios da Igreja Cristã? O que eles entendiam por transubstanciação? É a essas perguntas que apresentamos algumas respostas dos Pais da Igreja, como Inácio de Antioquia, Orígenes e Tertuliano.

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Cristianismo em ação

Contraponto

Verso do dia

Doações

Donate using PayPal
Amount:

Publicidade

Este site segue a licença Creative Commons - não comercial - livre cópia, distribuição e citação sem alterações no texto. Caso você goste de nossos textos, inclusive de autoria de terceiros, tenha a bondade e a gentileza de indicar a fonte tanto deste site como aquelas em que nos baseamos (inclusive traduzindo-as) e tivemos a delicadeza de indicar aqui (com os respectivos LINKS).

Creative Commons License

Usura não
You are here: Biografias Vida de Martim de Tours