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Quão acurada foi a Exsurge Domine em refutar Lutero?

James Swan resume artigo de Hillerbrand, que lista os erros da Bula Exsurge Domine ao refutar Lutero.

Share Bula Exsurge Domine

No fórum Catholic Answers Apologetics, a pergunta “Quais das 95 teses Roma não concorda hoje?” foi feita recentemente. Agora, se você nunca leu as 95 Teses, esta é uma leitura difícil. Não é um documento que faz muito sentido se você não estiver familiar com o fundo histórico e teológico da controvérsia entre Lutero e a igreja Romana.

Mas não se preocupe, eu vou explicar por que você não está sozinho se você não tiver certeza do que estava se passando nas 95 Teses ou o que exatamente Lutero estava dizendo naquela época que enfureceu tanto Roma. Parece que nem Roma estava certa sobre o que exatamente Lutero estava falando em alguns pontos.

A Igreja Romana lançou um documento explicando por que eles rejeitaram os ensinos de Lutero: Exsurge Domine, e isto foi notado pelos participantes do Catholic Answers: “Mas há a resposta original feita em 15 de Junho de 1520 pelo Papa Leão X. Esta foi uma encíclica papal intitulada de Exsurge Domine. Este documento delineia o veredito do Magistério da Igreja Católica sobre onde Lutero errou”. E outro comentário: “Por que não ler Exsurge Domine (Erguei-vos, Senhor), que foi a resposta oficial do Vaticano às Noventa e Cinco Teses e outros escritos de Lutero. Ela especificamente demandou que Lutero se retratasse de 41 erros específicos. Alguns deles eram das Noventa e Cinco Teses, algumas não. Ela no entanto não esmiúça as Noventa e Cinco Teses ponto a ponto”.

A pesar de ser um documento papal, eu argumentaria que o Exsurge Domine não é realmente de algum tipo de ajuda. Certamente não é nenhum tipo de ajuda infalível, como o apologista Católico Romano Jimmy Akin explicou recentemente. Eu também apontaria que as mentes mais brilhantes de Roma não sabiam bem o que estava acontecendo quando compilaram a Exsurge Domine. Eu recentemente me deparei com um comentário pertinente à falha da Exsurge Domine:


Como um documento legal a Exsurge Domine assumiu as refutações teológicas providas por Prierias, Cajetano e muito demonstravelmente, Eck. As breves denúncias e uma declaração incompleta dos ensinos de Lutero proveram pouca oportunidade para determinar os pontos mais detalhados das objeções magisteriais ao reformador (Hillerbrand 1969, 108-112). O documento não contém nenhuma hierarquia de condenação, nunca distinguindo qual dos quarenta e um erros são doutrinariamente heréticos e quais são meramente “ofensivos aos ouvidos piedosos” [Gregory Sobolewski, Martin Luther Roman Catholic Prophet (Milwaukee: Marquette University Press, 2001), págs. 67-68].

Agora digira o peso desta declaração. Ela declara que a Exsurge Domine “não contém nenhuma hierarquia de condenação” e “nunca distinguindo qual dos quarenta e um erros são doutrinariamente heréticos e quais são meramente ofensivos aos ouvidos piedosos”.

Para mim, no entanto, a parte mais interessante desta parte é a palavra “Hillerbrand”. Isto se refere a um artigo de Hans Hillerbrand, Martin Luther and the Bull Exsurge Domine (Theological Studies 30:108-112). A mágica da internet nunca para de me maravilhar, por que aqui está o artigo, Martin Luther and the Bull Exsurge Domine (PDF em inglês). Este é um artigo pequeno e fascinante, documentando quão imprecisamente os teólogos de Roma citaram e entenderam os escritos de Lutero. Aqui estão alguns poucos e interessantes excertos:

“Há consenso entre a maioria dos estudiosos da Reforma que a bula Exsurge Domine de 15 de Junho de 1520, que ameaçava Martinho Lutero com excomunhão, constitui um documento estranho e uma avaliação evasiva das preocupações teológicas de Lutero”.


“Uma fraqueza adicional do documento foi que ele se privou de identificar censuras específicas para as quarenta e uma proposições”.

Hillerbrand então lista vários erros feitos na Exsurge Domine quando tentava documentar os erros de Lutero. Aqui estão alguns excertos:

A proposição 25, que se relaciona com a primazia do Pontífice Romano, não pode ser localizada em qualquer dos escritos de Lutero antes de 1520.


A proposição 4 ... tomou duas das 95 teses (Tese 14, “Imperfecta ... magnum timorem” e Tese 15, “Hie timor et horror satis est se solo... faceré poenam purgatorii”), e adicionou, como uma cláusula final, uma passagem das Resoluções que se lê “horror ipse mortis... etiam se solo impedit introitum regni”. Parece que a “nova” sentença não concorda precisamente com as próprias formulações de Lutero.


A proposição 5 se limita a citar a opinião de outros.


A proposição 20 resumiu uma longa declaração das Resoluções... Esta declaração não expressa o sentimento de Lutero e ignora o fato de que o estabelecimento concreto das proclamações de Tetzel ao invés da doutrina indefinida das indulgências precipitaram as 95 teses.


A proposição 33 ... forjou uma sentença a partir de duas sem conexão em Lutero. Novamente, a citação ignora que Lutero expressamente se referiu a São Jerônimo como guia para seu próprio ponto de vista.


Na proposição 30 Lutero foi citado incorretamente.


A proposição 37 mudou o “quod in universa scriptura non habeatur memoria purgatorii” de Lutero para “purgatorium non potest probari ex sacra Scriptura” Novamente, deve-se tomar nota de uma divergência de significado, se o sentido de Lutero é tido ser que a palavra “purgatório” não ocorre nas Escrituras.


A proposição 41, que rejeitou a noção de Lutero que as autoridades “non male facerent, si omnes saceos mendicitatis delerent” foi evidentemente entendido como um ataque às ordens mendicantes, mas foi em Lutero uma preocupação social que estava relacionado com mendigar como tal.

Estes são alguns dos vários erros listados por Hillerbrand. Eu recomendo bastante salvar este artigo se você estiver engajado em pesquisa sobre a Reforma, ou discutindo com Católicos Romanos. Hillerbrand conclui:

Em resumo, não menos que doze das quarenta e uma proposições não citam acuradamente Lutero ou podem ser consideradas como expressando seus sentimentos. Enquanto isto deixa a maioria das proposições ainda intactas, este fato introduz uma nota de incerteza.

Qualquer consideração da bula Exsurge Domine levanta variadas e inalcançáveis questões que vão além do escopo modesto do que foi tentado aqui: As 41 proposições condenadas são um resumo justo dos ensinos de Lutero? Se sim, seu pensamento era verdadeiramente incompatível com as normas da Igreja Católica? Nós já citamos o consenso de estudiosos que respondem esta pergunta negativamente, se não por outra razão que os pronunciamentos teologicamente mais pesados da parte de Lutero vieram apenas depois de 1520.

Por falar nisto, antes que alguém aponte o dedo para Hillerbrand, note que ele foi um editor parcial/tradutor da Exsurge Domine na versão usada pelo website Papal Encyclicals, e citado pelos participantes do Catholic Answers: “Comentário do Webmaster: Este texto adicionado em itálico foi obtido de uma fonte secundária, tradutor Hans J. Hillerbrand, ed. “The Reformation in its own Words” (London: SCM Press Ltd., 1964), págs 80-84”.

Fonte: http://beggarsallreformation.blogspot.com/2010/04/how-accurate-was-exsurge-domine-in.html

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