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O apoio cristão à fundação do Islã


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O êxito do Islã derivou-se, essencialmente, do fracasso dos teólogos cristãos em solucionar o problema da Trindade e da natureza de Cristo. Nos territórios árabes, o cristianismo havia penetrado no paganismo, mas, em geral, sob uma forma monofisita, e nem o catolicismo oriental, nem o ocidental, foram capazes de chegar a um acordo com os monofisitas nos séculos VI e VII.

É quase certo que os árabes, impelidos pela estiagem, teriam recorrido à força para se expandir, de qualquer modo. Por assim dizer, Maomé, um monofisita, mesclou as dificuldades teológicas e econômicas a fim de desenvolver uma modalidade de religião monofisita simples, notavelmente impermeável à heresia e que incluía a doutrina da espada, de modo a acomodar as necessidades práticas dos árabes. Possuía forte apelo junto a enorme parcela da comunidade cristã. A primeira grande vitória islâmica, no Rio Yarmuk, em 636, foi obtida porque doze mil árabes cristãos investiram contra o inimigo. Os monofisitas cristãos - coptas, jacobitas e outros - quase sempre preferiam os muçulmanos aos católicos. Cinco séculos após a conquista islâmica, o patriarca jacobita de Antioquia, Miguel, o Sírio, produziu com fervor a tradição de seu povo ao escrever: "o Deus de Vingança, que sozinho é o Todo-Poderoso (...) elevou do sul os filhos de Ismael para, por seu intermédio, libertar-nos das mãos dos romanos". E, na época, um cronista nestoriano escreveu: "os corações dos cristãos rejubilaram com o domínio dos árabes - que Deus o fortaleça e faça próspero". Os muçulmanos e os cristãos monofisitas jamais se fundiram em termos teológicos. Porém, ao contrário dos judeus, não permaneceram distintos em termos raciais e culturais. O padrão religioso congelou: os muçulmanos árabes toleravam todos os Filhos do Livro, mas não iriam permitir que seus rivais se expandissem. Os cristãos só se encontravam em maioria em Alexandria e em determinadas cidades sírias. Via de regra, davam preferência à autoridade árabe-muçulmana que à grego-cristã, muito embora ocorressem períodos de dificuldades e perseguição. Jamais houve, em nenhum estágio, uma demanda maciça por parte dos cristãos sob domínio muçulmano no sentido de ser "libertados".



História do Cristianismo

(JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 2001, pp. 291-2)

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