• Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

    Mateus 5:44,45

  • Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível

    .

    Mateus 17:20

  • Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

    Lucas 15:4

  • Então ele te dará chuva para a tua semente, com que semeares a terra, e trigo como produto da terra, o qual será pingue e abundante. Naquele dia o teu gado pastará em largos pastos.

    Isaías 30:23

  • As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

    João 10:27

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As 95 Teses foram pregadas ou enviadas?

Escrito por  James R. Swan
Lutero fixando suas 95 Teses

Nos anos 60, um estudioso católico romano alvejou o fato geralmente aceito da Reforma: o pregar das 95 Teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg. O livro de Erwin Iserloh, The Theses Were Not Posted: Luther Between Reform and Reformation, desafia este aspecto dramático da história de Lutero. Ele mantém que as 95 Teses não foram pregadas à porta da igreja de Wittenberg, mas ao invés disto foram enviadas a superiores eclesiásticos particulares."Lutero não fixou as Teses mas somente as enviou para o Arcebispo Alberto de Mainz e o Bispo Jerônimo Schulz de Brandenburgo, os representantes apropriados da igreja, para sua aprovação" [LW 31:23].

Alguns dos fatos: Pregado ou enviado?

A gênese da historia de Lutero e a porta de Wittenberg parece vir das Memórias/Prefácio de Melanchthon ao segundo volume da coleção de obras de Lutero (edição de Wittenberg, 1546) [Inglês, Latim]:


Quando Lutero estava em seu curso de estudo, Indulgências venais estavam circulando nestas regiões por Tecelio o Dominicano, o mais desavergonhado enganador. Lutero, irritado pelos execráveis e impiedosos debates e, queimando com o afã da piedade, publicou Proposições a respeito das Indulgências, que estão no primeiro volume de seus escritos, e ele publicamente fixou estas ao Templo, que está próximo ao Castelo de Wittenberg, no dia antes da festa de todos os Santos, 1517.

Note que as Teses foram "publicamente fixadas" (ou afixadas). Não há nada demais sobre pregar um documento em uma porta. Uma outra fonte de poucos anos antes do texto de Melanchthon de fato menciona "portas" ao invés de "porta". Georg Rorer em 1540 menciona "nas portas dobráveis das igrejas" em uma nota privada (veja Franz Posset, The Real Luther, pág. 23). Nem Melanchthon ou Rorer estavam em Wittenberg em 1517, então seja qual for a origem desta história, ela certamente não era um relato de uma testemunha ocular.

O próprio Lutero nunca mencionou nada sobre pregar as 95 Teses na porta da igreja mas ao invés disto, explica como elas foram enviadas para autoridades eclesiásticas particulares. O primeiro sinal de evidência está na carta de Lutero (ou capa de carta) a Albrecht de 31 de Outubro de 1517 (LW 48:43), enviada com uma cópia das 95 Teses. Então em uma carta datada de 5 de março de 1518 a Christopher Scheurl, ele declara, "... Como você está surpreso por eu não ter as enviado [As 95 Teses] a você, eu respondo que meu propósito não foi publicá-las, mas primeiro consultar alguns de meus vizinhos sobre elas, para que eu possa ou destruí-las se condenadas ou editá-las com a aprovação de outros. Mas agora elas foram imprissas e circulam além de minhas expectativas". Em uma carta datada de 30 de maio de 1518 ao papa Leão ele declara, "Assim eu publiquei algumas proposições para debate, convidando apenas os que estudaram mais, como deveria estar claro para meus oponentes no prefácio de minhas Teses". Em uma carta datada de [21] de Novembro de 1518 ao Eleitor Frederico, Lutero declara, "...[A]lguns mentirosos entre nós falsamente declaram que eu assumi a disputa sobre as Indulgências por conselho de sua Graça, quando o fato é que nem meus amigos mais próximos ficaram sabendo disto". Ele também declara que antes das 95 Teses se tornarem públicas, ele enviou duas cartas (ao Arcebispo de Magdeburgo / Mainz e o Bispo de Brandenburgo). Então, dos próprios relatos de Lutero, ele nunca menciona pregar as 95 Teses na porta de Wittenberg. William Pauck nota,"...Lutero, que teve a tendência de falar livremente de sua carreira e que, em seus últimos anos, amava relembrar velhas histórias, nunca mencionou o incidente. Além do mais, não há nenhuma outra fonte contemporânea que suporta a velha história" [Olin, John (ed.) Luther, Erasmus and the Reformation (Massachusetts: Fordham University Press, 1969, p. 52].

As consequências de Iserloh

Eugene Klug do Concordia Theological Seminary argumentou:

Alguém observou que está na natureza da vida na universidade Alemã que o clamor de um professor à fama, a habilidade de incitar e atrair estudantes para sua sala de aula, frequentemente depende da sua capacidade de girar a rede de temor e mística sobre sua audiência, ou criar um novo filão por criar alguma novela, única, controversa, frequentemente uma posição “deslocada”. Este parece ter sido o caso com o amplamente lido e disputado The Theses Were Not Posted, de Erwin Iserloh [Word And Scripture In Luther Studies Since World War II (Trinity Journal Volume 5:16)].

Klug então recomenda a resposta de Kurt Aland a Iserloh: Kurt Aland, Martin Luther’s 95 Theses (St. Louis: Concordia, 1967). Klug afirma "Aland mostra que não há evidência sólida para colocar em dúvida o próprio ensaio de Lutero do evento como ocorrendo em 31 de outubro de 1517, com a fixação nas portas da igreja do castelo" (pág. 16). Por outro lado, o escritor católico romano Franz Posset diz "Kurt Aland... tentou amenizar a fonte material apresentada e divagou do problema essencial" [The Real Luther, pág. 23]. A resposta básica a Iserloh pode ser resumida como se segue:

1. Não há nada em qualquer das declarações de Lutero que exclui a fixação das 95 Teses.

2. Melanchthon deve ser considerado uma fonte confiável de informação (como é Rorer) por causa de sua relação próxima com Lutero. Mesmo que as memórias de Melanchthon possuam pequenos erros, ela é confiável.

3. Um contemporâneo de Melanchthon não teria questionado um erro histórico claro?

O argumento 1 é um argumento do silêncio. O argumento 3 é fraco, porque (tão quanto eu sei) nenhum contemporâneo de Melanchthon se posicionou para corrigir qualquer dos pequenos erros de Melanchthon. Tão quanto eu possa navegar nesta controvérsia, tudo se baseia em alguém confiar ou não no relato de Filipe Melanchthon. O estudioso católico romano Franz Posset recentemente escreveu de forma bem convincente que as memórias de Melanchthon sobre Lutero devem ser confiadas mais ou menos, mas ele ainda declara, "Rorer e Melanchthon inventaram a Fixação de boa fé? Parece que sim" [The Real Luther, p. 23]. Eu não estou tão certo se este "parece que sim" estabelece alguma coisa.

Richard Marius corretamente aponta que "Lutero sempre declarou ter ido por canais, e Iserloh o leva a sério, concluindo que as Teses não foram fixadas" (Martin Luther, The Christian Between God and Death, p. 138). Marius então declara que "Estudiosos protestantes têm reagido com desânimo com a ruína de um ícone" que é de fato um exagero do caso. Em um trabalho anterior, Marius chama esta controvérsia de "debate furioso de estudiosos" e Iserloh "teve sucesso em levantar um berro de indignação daqueles atuais discípulos de Lutero que não suportam perder um pequeno brilho do glamour de seu ídolo" [Luther, a Biography (Philadelphia: Lippincott, 1974) p. 70]. Marius deu a esta controvérsia mais importância do que ela realmente tem.

Conclusão

Deve ser mencionado que mesmo apesar de católico romano, Iserloh era simpático a Lutero. Otto Pesch aponta que,

O livreto de Iserloh alguns anos atrás sobre as 95 Teses chamou atenção considerável. Mesmo o tratamento desta questão da história eclesiástica é caracterizada por uma preocupação de apresentar uma figura verdadeira do homem Lutero, e Iserloh estava feliz sobre as descobertas em seu livreto, que rejeita a história de Lutero pregando suas teses na porta da igreja, não menos porque ela é bem sucedida em minimizar a figura de Lutero como um nervoso revolucionário e situou o evento que iniciou a Reforma, tirou todo sensacionalismo teatral, retornando para a forma de uma sã disputa acadêmica [Otto Pesch, “Twenty Years of Catholic Luther Research” Lutheran World, 13, 1966, pág. 305].

Apesar de não ser qualquer tipo de estudioso, eu não estaria tão desanimado ao descobrir que os pregos atravessando a porta de Wittenberg são algum tipo de lenda. Alguém pode dizer: "Quem se importa se as 95 Teses foram pregadas ou enviadas?" Eu posso entender tal resposta. O que me interessa sobre isto é que para ser consistente, eu não posso simplesmente focar nos vários mitos católicos romanos sem dar uma olhada mais aprofundada em algumas acusações deles de protestantes fazendo mitos de tempos em tempos. É de fato o caso que as 95 Teses de Lutero se tornaram um viral do 16o século bem rápido. É de fato plausível que as 95 Teses foram fixadas como Melanchthon declara.

A única pergunta real nesta controvérsia é: deve-se confiar em Melanchthon? A menos que alguém possa definitivamente provar que ele não pode ser confiado neste ponto, Lutero pregando as 95 Teses às portas de Wittenberg continuará sendo parte da história de Lutero. Se alguém lê o relato de Melanchthon, ele não parece fazer disto um fato central destacável da história de Lutero. Ou seja, eu não vejo razão para que a história dramática de Lutero ser embelezada ou inventada por Melanchthon com Rorer.

Adendo: Nota de Rorer

Este é do Cyberbrethren:

Em 2006, Martin Treu do Luther Memorials Foundation of Saxony-Anhalt redescobriu um comentário manuscrito do secretário de Lutero, Georg Rörer (1492-1557), no Jena University and State Library, que apesar de impresso, não teve nenhum papel em pesquisas. Bem no final da cópia de escrivaninha da revisão do Novo Testamento em 1540, Rörer fez a seguinte nota: "Na tarde antes do Dia de Todos os Santos no ano de nosso Senhor 1517, teses sobre cartas de indulgência foram pregadas às portas das igrejas de Wittenberg pelo Doutor Martinho Lutero”.

Agora Rörer também não foi uma testemunha ocular, mas ele era um dos colegas mais próximos de Lutero. A cópia do Novo Testamento, na qual ele fez sua nota, contém muitas entradas das próprias mãos de Lutero. A nota bem no final do volume nos leva a assumir que ela foi feita na conclusão do trabalho de revisão em Novembro de 1544. Diretamente ao lado dela há outra nota, segundo a qual Filipe Melanchthon chegou em Wittenberg em 20 de agosto de 1518, às 10 da manhã. Esta informação não é encontrada em lugar nenhum e presumivelmente veio diretamente do próprio Melanchthon. A referência de Rörer às igrejas de Wittenberg no plural deve ser enfatizada, já que isto corresponde aos estatutos da universidade. De acordo com estes, todos os anúncios públicos tinham que ser fixados nas portas das igrejas.

Fonte: http://beggarsallreformation.blogspot.com/2011/10/95-theses-nailed-to-church-door-or.html

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